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Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Resumo


Desvendando crenças em relação às línguas: um estudo na fronteira Brasil/Paraguai

Autores:
Ana Helena Rufo Fiamengui (IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo)

Resumo:

A conurbação formada pelas cidades de Ponta Porã/Brasil e Pedro Juan Caballero/Paraguai representa um espaço híbrido, onde coexistem línguas, culturas, hábitos e crenças distintas. Com base em um panorama traçado inicialmente, esta investigação foi conduzida em dez escolas, sendo cinco de cada lado da fronteira, e visou a explicitar e discutir as crenças de alunos a partir dos 14 anos em relação às três línguas mais faladas ali: o português, o espanhol e o guarani. Somamos 324 questionários respondidos, sendo 161 de alunos que estudam em escolas brasileiras e 163 em escolas paraguaias. As 36 afirmações do teste de crenças foram organizadas em cinco grupos: crenças em relação à língua, crenças em relação a uma variedade linguística, crenças em relação às pessoas que as falam, crenças em relação ao uso das línguas e crenças em relação ao bilinguismo, com as quais os alunos concordaram ou discordaram (total ou parcialmente). Emergem, dos dados obtidos, pelo menos três questões que precisam ser analisadas com maior detalhamento. Uma se refere ao comportamento muitas vezes discrepante das escolas privadas em relação às demais em enunciados que se referem ao guarani, o que pode significar a existência de alguma correlação com o estatuto socioeconômico dos alunos, que deve exercer algum papel na expressão de suas crenças. A segunda questão relaciona-se ao estigma atribuído à variedade fronteiriça de espanhol, apesar do reconhecimento de que sua importância vai além da comunicação na zona fronteiriça, o que pode estar atrelado ao grau de mistura com os outros dois idiomas ali falados. Por fim, o último ponto que merece atenção refere-se a afirmações que renegam o guarani, demonstrando que a origem e a manutenção do preconceito em relação a esse idioma não perpassam apenas a instituição escolar, mas também os lares e os espaços públicos da fronteira em foco.