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Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Resumo


UM VELHO MESTRE ESPREITA

Autores:
Edneia Rodrigues Ribeiro (IFNMG - Instituto Federal do Norte de Minas Gerais)

Resumo:

Museu de tudo (1975) é o livro de João Cabral de Melo Neto que mais reverencia artistas de diversos segmentos e de diferentes épocas. À Literatura Brasileira são reservados menos de dez dos 80 poemas, nos quais se destacam nomes canônicos, como Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes, e outros que caíram no olvido, como Willy Lewin e Marques Rebelo, por exemplo. A partir do poema “A Willy Lewin morto”, este trabalho pretende analisar como uma suposta homenagem fúnebre pode revelar, além do cunho afetivo, vínculos literários entre o, agora, poeta renomado e aquele que fora seu mentor intelectual, durante a juventude no Recife. Considerando-se a ausência de estudos acerca de Willy Lewin, as ideias deste texto se fundamentarão em pesquisa genética, realizada no espólio de João Cabral, que se encontra sob os cuidados da Fundação Casa de Rui Barbosa, além de poemas de João Cabral que versam sobre Lewin, entrevistas, correspondências e informações obtidas em outras fontes primárias. Entre os documentos descobertos durante essa investigação destaca-se o inédito “Museu da poesia/Willy Lewin", texto em prosa em que João Cabral analisa a poesia do seu “velho mestre”. Apesar do distanciamento entre ambos, Lewin, a quem é dedicado o principiante Pedra do sono (1942), é retomado no livro de 1975, assumindo ares de um leitor especializado de quem o poeta amadurecido busca aprovação. Dessa maneira, a reverência a Lewin nos versos de João Cabral pode contribuir para a redescoberta desse intelectual relevante na cena cultural pernambucana, em meados da década de 1940, mas de quem pouco se sabe atualmente.