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Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa
Resumo


O que menos importa a obra: Joo Paulo Cuenca em Descobri que estava morto

Autores:
Elizabeth Gonzaga de Lima (UNEB - Universidade do Estado da Bahia)

Resumo:

Segundo Blanchot (2011), a literatura deveria rasurar a figura do autor, Barthes (2004) anunciou a morte do autor, defendendo o primado da escritura sobre a pessoa, e Foucault (1992) desestabiliza a relação autor-leitor ao questionar “Que importa quem fala?”. Todavia, na contemporaneidade, os presságios fatalistas de Blanchot, Barthes e Foucault em relação à rasura do autor seguiram na contramão desses discursos e a figura do escritor ganhou a centralidade da cena literária, fazendo surgir autores que se consagraram antes mesmo de escrever uma obra, como João Paulo Cuenca, que vivenciou a superexposição midiática e a consequente espetacularização da imagem do escritor ao participar de festas literárias, comentar literatura na televisão, desenvolver a curadoria de festivais, entre outras atividades nas mídias. Depois de sua estreia em 2003, com Corpo presente, Cuenca, em 2016, faz de si próprio objeto estético com o romance Descobri que estava morto. O livro propõe uma discussão sobre as implicações da morte pública, privada, mas antes de tudo, literária do autor. A partir desse jogo irônico do romance, em virtude do escritor investigar a própria morte, que termina por reverberar no discurso da crítica literária, o trabalho pretende examinar o diálogo de hibridizações que se estabelece entre o autobiográfico e o autoficcional no sentido proposto por Doubrovsky (2014) e de que maneira Cuenca assume a autoria como performance e encenação.