Leitura e escrita de refugiados e migrantes: o processo de (re)construção da identidade
sociocultural em uma abordagem semiótico cognitiva | Autores: Josiane Andrade Militão (PUC MINAS - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) |
Resumo: Neste trabalho, pretendemos compartilhar o nosso ponto de vista sobre a importância do aprofundamento de um diálogo acadêmico-científico interdisciplinar sobre um fenômeno político-econômico e sociocultural sem precedentes na história recente da humanidade: o êxodo de milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. O êxodo é um fenômeno que impõe ao sujeito, migrante ou refugiado, concretos e profundos desafios. Entre esses, a aprendizagem de uma nova língua e sua inserção e emancipação em uma nova dinâmica sociocultural. Ao assumir esses desafios, o migrante vivencia experiências de natureza interacional (discursiva, multissemiótica) que estão implicadas em sua constituição identitária, no reconhecimento de si (e do outro) na realidade sociocultural a que pretende se integrar. Partimos do pressuposto de que, nessas experiências, o sujeito se inscreve construindo narrativas de si. Em uma perspectiva sociocognitiva, essas narrativas levam esse sujeito a reconstruir, ressignificar e preservar a memória do seu passado cultural, projetando-a na configuração de sua imagem identitária atual e, prospectivamente, em um futuro desejado. Construídas no chão do exílio, essas narrativas são reveladoras do processo de ressignificação de espaços e tempos, de uma construção de novas temporalidades e espacialidades. Pretendemos compartilhar resultados preliminares de um projeto de extensão e pesquisa intitulado LER (Leitura e Escrita com refugiados e migrantes). No âmbito desse projeto, partimos do princípio de que as emoções e a criatividade humana são condição sine qua non para a produção de sentido e, portanto, para a dinâmica sociocognitiva da (re)construção identitária. (Cavalcante & Militão, 2016; 2018). Como é possível entrever no processo de constituição preliminar de dados, em diferentes contextos de interação com os professores e estudantes extensionistas, os participantes do projeto realizam o processo de (re)memoração, construindo uma identidade vivida (no aqui-agora), com base na integração conceptual de uma identidade “rememorada”, sonhada, desejada (lá-naquele momento). (Brandt, 2004; Turner, 2014; Violi, 2014)
Agência de fomento: FIP |
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